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Três formas de revolução

Novas regras da língua portuguesa: Paroxitonas, hiatos e ditongos

Recentemente eu escrevi sobre a implementação das mudanças da ortografia da língua portuguesa neste blog. Como prometido, vou continuar falar sobre estas novas regras.

Hoje falarei de algumas regras que causaram certo alvoroço: as que tratam de acentuação em paroxítonas. Mas, antes de tudo, vamos explicar alguns conceitos.

Antes de analisar se a acentuação de alguma certa palavra foi afetada pela nova ortografia, fale-a pausadamente e de forma bem audível (se for possível, claro). Uma das três últimas sílabas irá destacar-se, por ser pronunciada de forma mais forte, contundente. Trata-se da sílaba tônica. A palavra “prático”, por exemplo, será pronunciada da seguinte forma: PRÁ-ti-co.

Se a sílaba mais enfatizada for a última – como em “Amapá” -, esta é uma palavra que denominamos como oxítona. Se for a penúltima – caso de “corrente” -, a palavra é paroxítona. E, finalmente, se a pronúncia mais forte for na antepenúltima – como em “príncipe” -, tratar-se-á de uma palavra proparoxítona.

Falarei hoje sobre as paroxítonas.

Mas ainda precisamos relembrar de outras coisas. Digamos que você esteja com dúvidas com a palavra “peixe”. Falando-a pausadamente, teremos PEI-xe. Repare que os “E” e “I” da palavra são pronunciados conjuntamente. Quando duas vogais são pronunciadas desta forma temos o ditongo. Observe que, nestes casos, uma das vogais é pronunciada de forma mais forte. Esta é a vogal e a outra será a semivogal. Quando a vogal vem antes da semivogal, temos um ditongo decrescente. E o ditongo crescente ocorre quando a semivogal vem antes da vogal, como na palavra “água”.

Se a vogal dos ditongos for pronunciada de forma fechada (“ê” ou “ô”, como na própria palavra “fechada”), dizemos que o ditongo assim formado é um ditongo fechado. Analogamente, se a vogal for pronunciada de forma aberta, temos o ditongo aberto. A semivogal não deve ser analisada para sabermos se um ditongo é aberto ou fechado. Por isso dizemos que “museu” tem um ditongo fechado e “chapéu” tem um ditongo aberto.

Se encontramos vogais pronunciadas separadamente, elas não formam um ditongo, mas sim um hiato. Este é o caso da palavra “saída”, que seria dita desta forma: sa-Í-da.

Vamos às regras agora:

I e U em hiato após ditongo em paroxítonas

Quando as letras I ou U formarem um hiato com um ditongo anterior em palavras paroxítonas, não serão mais acentuadas. Ou seja, se a sílaba pronunciada mais fortemente for a penúltima, se esta sílaba for uma letra I ou U e ainda, se antes desta letra houver um ditongo, esta palavra não será acentuada. Vejamos como exemplo a palavra “feiura”. Pronuncie-a como dito anteriormente e o resultado será fei-U-ra. Trata-se de uma paroxítona, pois a sílaba tônica é a penúltima. Esta sílaba é uma letra U. E para concluir, antes desta letra, temos o ditongo “ei”. Portanto, feiura corresponde a esta regra, assim como “Sauipe” ou “Bocaiuva”.

Ditongos abertos de paroxítonas

Os ditongos abertos não serão mais acentuados nas palavras paroxítonas. Um bom exemplo é a palavra “Coreia”. Pronunciando-a atentamente teremos o seguinte: co-REI-a. A sílaba tônica é a penúltima, identificando uma paroxítona. Nesta sílaba temos um ditongo: “ei”. Como a pronúncia do “e” é feita de forma aberta, temos um ditongo aberto em paroxítona e não devemos grafá-lo com acento. O mesmo ocorre com “ideia” ou “jiboia”.

Palavras terminadas em “oo” ou “eem”

Estas palavras não serão mais acentuadas, como é o caso de voo, enjoo ou leem. Não confunda com a flexão de verbos ter e vir – e derivados – na terceira pessoa do plural. Ou seja, escrevemos que “Eles têm de pegar o voo para a Coreia, mesmo com enjoo”.

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